domingo, 18 de setembro de 2011

Fim de Festa


Parece que foi ontem.Três semanas depois da Festa, aqui ficam as primeiras fotografias. É todos os anos igual mas a emoção e o entusiasmo que andam no ar são sempre saborosos e únicos. O início das novenas, quando o monte, solitário e deserto ao longo do ano, começa gradualmente a ser tomado pelos peregrinos, traz um “crescendo” de intensidade que culmina no fim-de-semana da Festa. Um certo espírito de fraternidade e optimismo, menos visíveis noutras alturas do ano, vai-se avolumando ao longo da semana. A missa de sábado e a procissão das velas, entrando noite dentro em ambiente luminoso, marcam o ponto culminante de recolhimento e comunhão que antecedem o arraial. É bonito, emocionante e ansiosamente aguardado. Mas pode ser ainda melhor. Mesmo sem grandes investimentos. Apagadas as velas e assente a poeira do arraial, vejamos::

  • primeira coisa evidente: vem muita gente de fora e ainda bem. Mas muitos reclamam porque não têm onde descansar nem comer o farnel. Conclusão: faz falta um parque de merendas e repouso digno desse nome, onde se possa descansar e comer tranquilamente. A localização ideal seria ao abrigo da fraga, no largo onde actualmente é instalado o palco; 
  • assim, o palco teria de ser deslocado para fora do recinto, por exemplo para a zona abaixo da torre de vigia, com benefício de todos e mais espaço;
  • os tendeiros instalam-se desatinadamente e sem controlo onde muito bem lhes apetece: a comissão de festas deveria, como já se faz noutras aldeias, começar por definir precisamente os “talhões” e, em seguida, organizar um leilão entre os feirantes, para evitar a desorganização e o aspecto desleixado daquele local. Dizia com toda a razão o Justino que o homem “dos cacos” (foto junta) se instalou no pior sítio possível, mesmo na curva, onde os carros tinham de fazer grandes malabarismos para curvar; 
O homem dos cacos...
  • a propósito de carros: trânsito fora da Festa! Totalmente! Carrinhas, jeeps, carros. Seriam toleradas as motas e scooters, que apenas poderiam estacionar num local previamente determinado. Deve haver meio de, sem grandes custos e eventualmente contando com uma generosa doação, fazer um parque de estacionamento lá mais para baixo. Os carros que transportem pessoas de idade, doentes, bébés, podem subir para descarregar os passageiros mas em seguida devem descer. Poderia ser organizado um serviço de vai-e-vem com um pequeno autocarro que transportaria as pessoas até lá cima. Uma Festa organizada num monte tem as suas contingências mas isso não é razão para permitir todos os desmandos em termos de trânsito;
  • faltam fontes dignas desse nome, onde as pessoas possam beber ou abastecer-se; 
  • quanto ao bar por baixo do coreto, enfim, nem vale a pena falar...
Mais melhoramentos seriam com certeza necessários, mas os que ficam descritos são absolutamente prioritários. A maior parte das pequenas transformações sugeridas não exige dinheiro, exige organização e algum trabalho. Toda a gente reconhece o mérito dos organizadores da Festa nos últimos anos, mas é necessário saber mobilizar os moradores e as pessoas que vêm de fora ao longo do ano para a necessidade de mudar e melhorar algumas coisas, e não apenas na Festa aliás! A Festa e a aldeia são de todos. Não se pode estar eternamente à espera de apoios de fora, da Câmara ou de outra entidade. Eles são necessários mas, para algum dia esperar obter um financiamento seja de que natureza for, é indispensável elaborar um projecto com princípio, meio e fim. Reunir-se, discutir, pensar, escrever. Pedir uma audiência na Câmara. Entregar o projecto e pedir um prazo de resposta. Porque palavras leva-as o vento. É preciso mostrar espírito de equipa e organização e ser persistente. Além disso, é fácil dizer “ninguém nos ajuda”. Mas quem é que ajuda alguém que não se sabe muito bem o que quer. Anda-se há anos a dizer, cada um para seu lado: é preciso arranjar os caminhos, é preciso arranjar as escadas para a capela, é preciso arranjar o bar, é preciso um parque de merendas, etc, etc. Portanto, se é preciso fazer alguma coisa, tem de se começar por algum lado: organização e trabalho voluntário. Mãos à obra a partir do Carnaval de 2012?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vale de (Pedro) Janeiro?





Nas suas Memórias Arqueológico‑Históricas do Distrito de Bragança, o Abade de Baçal (Baçal, 9 de Abril de 1865 ­‑ Baçal, 13 de Novembro de 1947) afirma o seguinte no volume dedicado, entre outras, à origem dos nomes das povoações:

“Vale de Janeiro - Nos documentos medievais aparecem frequentemente pessoas que têm o nome de meses do ano (...). Viterbo * menciona um Pedro Janeiro a quem D. Godinho, bispo de Lamego, emprazou certos bens em 1189. Daqui poderemos concluir que a povoação bragançana deve o nome ao proprietário do vale em que assenta”.
Rumemos então a Viterbo, movidos por “ses”, “porquês” e “comos”. Que conta o “Elucidário” do frade franciscano (Vol. 1, pág. 379)?
"No [ano] de 1189 D. Godinho, Bispo de Lamego, emprazou a Pedro Janeiro hum Casal em Paredes, com Foro da terça parte do vinho, que nelle se produzisse. (...) Vendeo o mesmo Emfiteuta este Prazo com authoridade do Bispo de Lamego D. Pedro de boa memoria, no [ano] de 1208; declarando, que além do Foro, ou Pensão do vinho, pagaria o Comprador annualmente à Mitra unam pernam de porco, & unam taligam de tritico, & duos capones , & decem ova , & unum arcum, & uno sesteiro de castaneis , & non amplius. (...)”.

Hmmm... Então o prazo dado por D. Godinho a Pedro Janeiro afinal fica em Paredes. Bem longe para aqueles tempos. E a Paredes de que aqui se fala será, com toda a probabilidade, Paredes da Beira, freguesia do concelho de São João da Pesqueira, diocese de Lamego e distrito de Viseu. Parece pouco provável que um “prazo” situado em Paredes se tenha estendido até terras de Vinhais. Além disso, o antigo nome da aldeia, Santa Maria do Castelo, subsistiu pelo menos até 1250, ano em que o castelo cristão construído entre os séculos X e XI “foi demolido por já não responder às necessidades de defesa do território” (in Guia do Ecomuseu de Vinhais, Ed. Corane e Câmara Municipal de Vinhais, Abril de 2009).

A obra do Abade de Baçal tem muito mérito e utilidade mas, neste caso, tira uma conclusão algo apressada de um facto histórico de que dá uma uma informação incompleta.

Mantém-se então o mistério!

* Viterbo, frade franciscano (de nome completo Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo), autor do impressionante e esquecido “Elucidário das palavras, termos e phrazes, que em Portugal antigamente se usaram, e que hoje regularmente se ignoram: obra indispensável para entender sem erro os documentos mais raros e preciosos que entre nós se conservam. Publicado em beneficio da litteratura portugueza, e dedicado ao Principe Nosso Senhor”.

domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 16 de julho de 2011

Ensaio em Vale das Fontes - Agosto 1989

Ao violino, o Sr. Manuel "da Dérida", de Nozedo de Baixo, à guitarra, o Sr. Euclides dos Santos Alves, de Vale de Janeiro. Agosto de 1989. Silêncio!


25 anos = Um Século

Arrancadas ao pó e a às pastas de arquivo mal organizadas, algumas fotografias de um Inverno há mais de 20 anos, desfocadas e mal expostas. Têm gente e têm paisagens. Ruas esburacadas como um campo de batatas cheio de pedras. O riacho que passava por baixo da casa da Abseda corria monte abaixo como um verdadeiro rio que sabe para onde vai. Entretanto, fartos de chuva e de nevoeiro, D. Quixote e Sancho Panço abandonavam de vez a aldeia...





Tia Zulmira

Tio Albino

Tia Miquelina




sábado, 30 de abril de 2011

Exame de botânica

Hoje há teste! Quem acertar nas espécies vegetais todas (mas têm de ser todas) ganha um passeio ao Regueiral! A pé e com direito a banho no fim! Preparados? Aí vai!

 








(Fotografias da colaboradora Helena Santos)

domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa

A Páscoa pede ouros, cores vivas, brocardos. Aqui não é diferente. Entre um Sol pálido e alguma chuva, encheu-se a Igreja, desejou-se saúde e felicidades. Depois, processionou-se, assim:




sábado, 9 de abril de 2011

O Carnaval do Zé Miguel

Aprendendo a lançar o pião... com uma piona!

Podando a vinha

Assentando pedra com a assistência técnica do Manuel


Nas últimas férias de Carnaval, o Zé Miguel conheceu uns primos saídos das profundezas da numerosa família materna, que num princípio de tarde de Fevereiro chegaram a sua casa para o levar, acompanhado pela avó, conhecer Vale de Janeiro, pequena e recôndita aldeia do interior transmontano onde se encontra uma parte da história da família.

Na verdade, Vale de Janeiro era a terra do seu avô, recentemente falecido e por quem terá certamente sentido grande amor e ternura. Ainda por cima, o avô tinha uma irmã em Vale de Janeiro – a tia Teresa.

Talvez no seu íntimo esta fosse uma forma de homenagear o avô e de lhe provar que era um neto corajoso e destemido, pois, além de entrar em terreno totalmente desconhecido, umas “más-línguas” tinham-lhe dito que aquilo era terra de vampiros e de lobisomens...

A natureza do Zé Miguel começou a revelar-se logo nos primeiros quilómetros da viagem. Além de intervir com pertinência nas conversas, alinhava em todas as brincadeiras, e era um sério interlocutor: sabia adivinhas, conhecia as aves começadas por “A”, por “B”, etc., e desferiu-nos o “golpe de misericórdia” quando, no meio de um jogo sobre substantivos colectivos, ninguém se lembrava do nome que se dá a um conjunto de camelos. “Desistem?” Perguntou com ar triunfante. “Vou dizer: é cáfila!” E assim nos íamos afastando de Lisboa, guiados pela suave condução da Mariana, pelas histórias da tia Etelvina sobre Angola e sob o ouvido atento e o olhar observador do Zé Miguel.

Os últimos 100 quilómetros foram os que mais lhe custaram, mas chegados ao destino, voltou-lhe a energia e de imediato se mostrou à altura da situação.

Pelas primeiras impressões, parece ter ficado agradavelmente surpreendido com a lareira e as escadas da casa.

Os detalhes genealógicos, talvez só os tenha entendido no dia seguinte, quando finalmente estabeleceu todas as conexões familiares: o avô Isaías era irmão da tia Teresa. “-Ah, então a tia Teresa é tua mãe e tu és irmã do Vasco? Então o Vasco também é meu primo?” Ufa! Parece ter ficado aliviado! Resta saber se o alívio seria por ter descoberto mais um primo interessante como o Vasco, ou por ter entendido tudo acerca destes novos primos, ou por ambas as razões.

Talvez tenha tido pela primeira vez a sensação de liberdade absoluta quando fez questão de atravessar sozinho a povoação de um extremo ao outro; contou tranquilamente que viu os dentes afiados de um cãozito e não ligou muito, mas, segundo contou a tia Leonor, o “garoto batia com os calcanhares nas nalgas a toda a velocidade!”.

Por ali se divertiu podando, arrancando pedra, tocando viola, fotografando. Só se queixou por causa do casaco bege, que não quer usar porque, além de ser um rapaz que nunca tem frio, não gosta mesmo nada daquele casaco...

No meio das várias actividades e conversas que foram preenchendo os dias tão agradáveis que ali se passaram, o Zé Miguel lançou para o ar algumas frases e perguntas que soavam nos ouvidos como autênticas bombas…

“Oh Nuno, não é por nada, mas nesta terra só os homens é que trabalham!”
“Oh Lena, tu pensavas que eu era um menino de cidade?”
“Nunca tinha visto tantas estrelas no céu.”
“Não sabia que tinha estes primos.”
“Aprendi a lançar o pião.”
“O Luxemburgo é em Portugal?”
“Não sabia o que era podar.”
“Mas esta casa não é só tua?”
“Sempre gostei de uma casinha de pedra.”
“Se por acaso aparecerem assim umas pessoas de imprevisto, como por exemplo, a minha mãe e o meu pai, o meu irmão e os meus primos, podem dormir aqui nesta casa?”
“Quero cá voltar. Mas posso convidar o meu irmão e os meus primos?”
“Sim, mas, Mariana, acreditas ou não em Deus?”
“Aaaaaiiiii, que não me dão o vinho. “Aaaaaiiiii, que não me dão o garrafão de vinho!”
“Ó Nuno quando é que me ficaste mesmo a conhecer?”


Tudo isto parece banal e nada tem de extraordinário....Mas o caso muda de figura se soubermos que o Zé Miguel tem apenas sete anos (e meio, se faz favor, por correcção de sua senhoria).

Até breve em Vale de Janeiro, não é Zé Miguel?

sábado, 26 de março de 2011

Coisas mais modernas

Antes, era assim:

Um bocadinho suja, mas não estava mal, ou estava?

Agora, é assim:

Não está melhor, ou está?

domingo, 20 de março de 2011

Uma tarde com a Tia Lídia


O Vasco conduziu a entrevista

 As ervas e plantas estão organizadas em capas de plástico, com o respectivo nome e as indicações terapêuticas.

 Um frasco de elixir do Tio Pimentel (dores e reumatismos, não é Tia Lídia?)

Na "loja", o stock de produtos para uso próprio e para oferecer



Entre as histórias e as ervas para chás, infusões e tisanas, o elixir do Tio Pimentel e uma organização sem falhas, como numa farmácia, algumas fotos do mês de Agosto de 2010.